Mostrando postagens com marcador cultura. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador cultura. Mostrar todas as postagens

7.12.08

salariman


Dias desses meus pais estavam comparando Shall We Dansu com seu remake hollywoodiano. “Eles fizeram tudo igualzinho, mas Richard Gere não tem cara de sarariman”.

“Salariman”. Há milênios não ouço essa palavra, que vem, japoneticamente falando, do inglês salaryman. São pobres assalariados que realizam trabalhos burocráticos dentro de grandes corporações. A imagem de sujeitos desanimados e pouco originais é sempre usada em filmes e mangas. Fora da ficção, são facilmente identificáveis, pois são tão caricaturais quanto.

Como reconhecer um sarariman:

- É mais que evidente que sua vida gira ao redor do seu cubículo no escritório

- Estão sempre fazendo hora-extra

- São pouco originais – em todos os sentidos

- Pouco competitivos

- Obedientes dentro da empresa

- Adoram um karaokê e fumam loucamente

- Estão sempre de camisa branca, terno e gravata.

Os mais radicais são chamados de kaisha no inu (cachorro da empresa, numa tradução mais livre). Os que se rebelam e querem sair dessa vida, cometem o datsusara, que significa sair do emprego e arranjar outro trabalho. A nova ocupação é ser dono do próprio nariz, ser o próprio patrão. Opção difícil, pois não há garantia de sucesso e é preciso uma boa quantia de dinheiro para poder recomeçar.

Então, caro leitor, quando vir um sujeito parecido com a descrição acima, dê um sorriso e mostre que há vida inteligente fora do escritório!

Salaryman 6. Dir. Jake Knight

8.6.08

origami


Na temporada primavera-verão de 2004 da São Paulo Fashion Week, Jum Nakao encantou a platéia com seu desfile. Não sei quais adjetivos poderia usar, mas foi a primeira vez que me emocionei vendo um desfile. A delicadeza das roupas de papel, minuciosamente cortadas, dobradas e talhadas com estilete era impressionante. Para surpresa de todos, ao final do desfile, as modelos rasgaram seus vestidos, arrancando lágrimas de uma platéia acostumada ao blasé.

Hoje, na exposição Nippon, em cartaz até 13 de julho no CCBB, vi dois vestidos do projeto Costura do Invisível. Meninos e meninas, é realmente impressionante. Imaginei os manequins ganhando vida e destruindo aquelas obras, quase chorei. A Costura do Invisível é mais que um desfile memorável, sua concepção está registrada num livro/dvd editado pela Senac. Os bastidores do desfile você confere aqui.

Ah, sim, a exposição. Minha peregrinação começou com um desorganizado e decepcionante desfile de kimonos – eu sei que tentaram fazer o melhor, mas foi tudo muito amador. Som ruim, penteados desleixados, kimonos amassados, modelos nem um pouco modelos e atraso. – Já a exposição valeu a pena, dois andares mostrando um Japão de tradições e moderno. Além da influência da imigração por aqui. A parte do cosplay eu passei rapidinho porque me dá certa vergonha alheia, mas deu vontade de arrancar os pôsteres emoldurados de alguns animes e sair correndo. Se você puder ir, vá. E é gratuito. Tendo um tempinho, passe também na Casa França-Brasil. A exposição "Mulheres Reais - Modos e Modas no Rio de D. João VI" é um luxo. A maioria das peças é reprodução, mas algumas são autênticas. A entrada também é gratuita.

18.5.08

sorriso colgate









Durante minha infância e “adolescência”, concursos de miss estavam fora de moda, mas segundo quem viveu os áureos tempos de Martha Rocha, concurso de miss era um evento: “Olha a Miss Rio Grande do Sul, que linda”, “Ah, eu prefiro a Miss Goiás”, “Mas a Minas Gerais é tão simpática”. Hoje, a única forma de distinguir quem é a representante de cada estado é pela faixa, porque a fórmula estica-e-puxa + silicone = 27 irmãs gêmeas.

Na noite do último sábado, a bancária Karina Eiko Nakahara, de 26 anos, foi eleita a Miss Centenário Brasil-Japão. Karina é neta de japoneses, natural de Mogi das Cruzes (SP), tem 1,76m, pesa 56 kg e é recém-formada em odontologia. Por mais incrível que pareça, as misses descendentes de japoneses não têm a mesma cara. Sem querer ser maldoso, mas já sendo, algumas estão ali por W.O.

Karina Eiko Nakahara ganhou um carro zero e uma viagem a Punta del Este, além de ser coroada pela Miss Brasil (e vice Miss Universo, e atual Mulher-Aranha) Natália Guimarães, que não guardou mágoa de ter perdido a coroa de mais bonita do mundo para uma japonesa bem mais ou menos.

O evento no estádio do Ibirapuera foi apresentado por Sabrina Sato e Kendi (?), além da presença da primeira-dama do Estado, Mônica Serra e do desenhista Maurício de Souza. A festa foi encerrada com o show do KLB. Dizem que o L está bem íntimo da Natália Guimarães. Se a apresentação deles teve influência da Mulher-Aranha, definitivamente ela ainda guarda mágoa de ter perdido para uma japonesa com cara de esquilo.

10.5.08

ink


Estava numa livraria quando vi um livro-catálogo de tatuagens, olhei para o lado e vi um garoto com seu nome tatuado em japonês, “Buruno”. Acho essas coisas engraçadas, mas para um japonês conservador, é um atestado de burrice. De fato, a tatuagem no Japão ainda é associada à criminalidade. Em muitos lugares, como saunas, piscinas, academias e casas de banho, a entrada de tatuados é proibida.

Durante o período Yayoi (300 AC – 300), a tatuagem tinha conotação espiritual e era símbolo de status. Na era seguinte, a Kofun (300AD – 600), a tatuagem passou a ser sinônimo de punição, assim como nos escravos romanos. Só na era Edo (1600 – 1860) que a tatuagem japonesa passou a se desenvolver como a conhecemos hoje, principalmente pela influência do romance chinês Suikoden – épico de grande sucesso que conta a história de 108 bravos guerreiros a lá Robin Hood que tinham seus corpos tatuados com figuras de dragões, demônios, flores e tigres.



A tatuagem japonesa diferencia-se por não usar agulhas, mas uma talhadeira e, claro, a famosa tinta Nara, que fica numa tonalidade azul-esverdeada sob a pele. Durante a era Meiji, meados do século IXX, a tatuagem foi proibida no Japão, voltando a ser permitida só em 1945. Durante esse período, a conotação underground só fez aumentar a procura por tatuadores clandestinos, muitos dos interessados eram marinheiros estrangeiros.



Como disse no início deste post, a tatuagem no Japão ainda é associada à criminalidade, principalmente a Yakuza. Assim como toda boa máfia, os grupos fazem das tatuagens uma prova de lealdade e poder. É quase um clichê em filme quando um homem tatuado entra numa casa de banho e os outros clientes fogem correndo.




Mas claro que pelas bandas de lá, as tatoos também estão na moda. Enquanto por aqui as mais pedidas são ideogramas japoneses, por lá são palavras em sânscrito.

28.3.08

2 eventos no rio

Noite do Japão

Culinária, apresentações de Taiko, Kendo, Bon Odori e exposição de Ikebana. Tudo num único lugar.


Quando: 5 de abril – 19:00 às 24:00

Onde: Nikkey – Rua Cosme Velho, 1166. Cosme Velho

Reservas de Mesas: 25569010 / 25585991

Entrada Franca

Sugiro reservar mesa e chegar no início da noite, pois estacionar no Cosme Velho é um sufoco.


36° Undokai

A tradicional gincana para todas as idades.

Quando: 1° de maio – 09:00 às 16:00

Onde: BACS – Base Almirante Castro e Silva, Ilha do Mocanguê Grande. Niterói

A entrada da BACS fica na Ponte Rio - Niterói.

19.3.08

um dia de cão



Uma máxima do jornalismo diz que para se vender mais jornal basta colocar foto de criança ou bicho na primeira página. Não há nenhum estudo que comprove isso, mas é fato que notícias com animais sempre chamam minha atenção. É fato também que meu coração é frio como a Sibéria (segundo minha irmã), mas derrete-se com qualquer história bonitinha envolvendo bichos. A internacionalmente famosa Hachiko é um exemplo. Hachiko era a cadela akita de um professor universitário que morava no subúrbio de Tóquio. Todas as manhãs, Hachiko acompanhava seu dono até a estação de trem e o buscava no fim da tarde, até o dia em que o professor não voltou. No dia 21 de maio de 1925, Eizaburo Bueno sofreu um derrame e morreu na universidade. Hachiko passou a ser cuidada por parentes e amigos do professor, mas manteve sua rotina de ir à estação e esperar seu dono. Em 1934, aos 11 anos, Hachiko foi encontrada morta em frente à estação. Essa história ficou tão famosa que uma estátua foi construída em sua homenagem. Com a guerra, todas as estátuas foram derretidas, mas uma nova foi logo feita e continua em frente à estação Shibuya, em Tóquio.

Em 1987, Seijiro Koyama dirigiu o lacrimoso Hachiko Monogatari. Para este ano, um outro filme baseado na história deve chegar aos cinemas, dirigido por Lasse Hallström e com Richard Gere no elenco. Leve lencinhos!



6.3.08

miau


Se eu tivesse que entrevistar alguém para dividir o mesmo teto, perguntaria como foi sua infância. Filmes, livros, histórias, músicas, viagens... Como já contei aqui, os filmes de Miyazaki, as histórias de Andersen, irmãos Grimm e Esopo foram muito presentes na minha infância, e estendo essa importância até hoje. Tão familiar quanto os personagens populares dos contos infantis está Doremon. Todo mundo que via esse desenho queria ter um Doremon, não só por seu bolso mágico, mas pelo conforto de ter alguém sempre por perto, acho que o maior medo de uma criança é ser abandonada.

A figura do gato-robô que veio do futuro é tão forte que tornou-se ícone japonês em 2002, numa eleição promovida pela revista Time Asia. Cheguei a pesquisar mais sobre o desenho, mas isso qualquer um que tem Google consegue fazer, o que me surpreendeu foi saber que havia vários boatos sobre o final da série. Esse súbito interesse por Doremon surgiu quando vi o último episódio e ele não condizia com o que havia ouvido até então sobre o desfecho da série.

Segundo me contaram, a bateria de Doraemon acabava e se ela fosse trocada, toda a memória dele seria apagada. Diante dessa circunstância, Nobita, o garoto preguiçoso, se empenharia nos estudos até encontrar uma forma de a bateria ser trocada e a memória não ser afetada. Esse foi um dos finais cogitados, ainda há a história de que Nobita seria um autista e tudo teria sido fruto de sua imaginação, ou uma solução genérica, Nobita estaria em coma e a série se passasse dentro de sua cabeça. Obviamente houve protesto contra esses dois últimos finais.

Vi o tal último episódio no youtube-salve-todos e chorei tanto que fiquei com dor de cabeça. Está em japonês e com legenda em inglês. Os links estão logo abaixo.

Parte 1 Parte 2 Parte 3

28.2.08

little boy – a rosa radioativa, estúpida e inválida


“Enquanto eu procurava por minha filha, caminhei sobre uma montanha de corpos. Vi cadáveres de pessoas que, provavelmente, correram para jogar seus rostos na água da cisterna, onde todos morreram com seus braços ao redor dos outros. Como eles devem ter gritado por água! Meu coração doeu por eles. E juntei minhas mãos em oração”.

O desenho e o relato são de Kikue Komatsu, que tinha 37 anos quando a Little Boy caiu em Hiroshima. Em 1974, a NHK pediu para que os sobreviventes enviassem desenhos e relatos sobre esse crime. O resultado foram os resíduos de uma catástrofe hereditária, e passou a fazer parte do acervo do Hiroshima Peace Memorial Museum. Em 2005, 60 anos depois da tragédia, o MAC de São Paulo trouxe 80 desenhos para a exposição Hiroshima – Testemunhas e Diálogos.

Toda guerra é burra e não há mocinhos e vilões. Guerras não são românticas nem heróicas, não há medalha ou homenagem que apague as visões do puro horror. Num momento em que Holocausto está sendo escrito sem o H maiúsculo, temos que tocar constantemente na ferida para que catástrofes como essas não ocorram mais. Apesar de a exposição ter ocorrido há dois anos, é possível ver e lê-la pela página do MAC.


6 de agosto de 1945. Uma mãe, atônita, segura seu filho morto com toda a força.
Fumiko Shibata, 24 anos em 1945.

20.2.08

japoguês

Quem não se comunica se trumbica. É verdade. Acho uma bobagem quem deixa de se comunicar alegando que não sabe falar o idioma. Quem quer ser entendido, faz mímica, desenha, gesticula... Japoneses têm dificuldade em falar outras línguas. Também pudera, seu próprio idioma não ajuda muito, não tem “L” nem “J”. Então o jeito foi japonesar o vocabulário estrangeiro. Meu avô falava inglês, japonês e coreano, mas nada de português. Via novela e inventava os diálogos. Já minha avó, também não falava, porém conseguia se locomover até os mais longínquos lugares dessa terra. Veja alguns exemplos:

Panetora = Panetone; Rarandjares = Laranjeiras; Kurahara = Clara; Garaná = Guaraná

Por favor, se encontrar um japonês ou qualquer outro estrangeiro tentando falar português, use sua sabedoria e dedução. No final, dê um sorriso que dá tudo certo.

No vídeo de Encontros e Desencontros, o velhinho só quer sabe há quantos anos Bob está no Japão.

Na próxima segunda, estréia na Band a lacrimosa Haru e Natsu – As Cartas que Não Chegaram. Produção da NHK filmada em Campinas.

11.2.08

feliz bicho novo!


Durante toda minha vida acreditei ter nascido no ano do rato. Porém, a astrologia chinesa disse que sou Javali/Porco, porque nasci antes do Ano Novo Chinês. Se os japoneses e chineses dividem a mesma astrologia, e os japas dizem que sou rato, eu sou rato, não que isso mude muita coisa. Pois bem, segundo minha irmã leu num livro, os nascidos nos anos do rato são controladores e teimosos. Junte isso ao meu capricornianismo e terá uma pessoa insuportável (não que eu seja). Será melhor eu virar porco? Todo esse parágrafo foi uma amostra da falta de assunto que impera em minha mente.

No dia 8 de março, blogueiros do mundo todo farão posts especiais pela Campanha de Valorização da Mulher. Como este humilde blog tem seu lado pink, também estará nessa.

7.2.08

boa noite



Se você me pedir para imaginar a história de um chumaço de algodão que vira cotonete para se vingar das manicures que usaram seus familiares para tirar esmalte, eu imagino. Devo essa imaginação fértil a centenas de coisas, mas principalmente às histórias que ouvi quando criança. Em casa havia, e ainda há, uma coleção com histórias dos Irmãos Grimm, Hans Christian Andersen. Esopo, Arabian Nights... As ilustrações não eram bonitas e nem atraentes, mas os contos estavam lá, no original, sem adaptações – A Pequena Sereia não tinha final feliz e a Bela tinha duas irmãs esnobes... Ah, sim, os livros estavam em japonês. Então, se você me perguntasse quem eram meus autores favoritos, eu responderia “Anderusen” e “Gurimmu kyodai’. Havia ainda um livro com 100 contos do folclore japonês, incluindo Momotaro e a Mulher da Neve (minha favorita). Porém, a mais pedida por mim e minha irmã era a história de Karen e seus sapatinhos vermelhos. Sabe quando você pisa numa barata e precisa ver se ela morreu? Era mais ou menos isso. Eis aqui a história:

Karen sempre sonhou em ter sapatos vermelhos, mas sendo órfã e pobre de doer, nunca pôde comprar um. Durante muito tempo, ela juntou todo tipo de retalho vermelho que encontrou, até costurar um sapato. Feliz da vida, saracoteava pelo bosque e acabou conhecendo uma bondosa senhorinha que a adotou. Ao chegar em casa, a velhinha viu os sapatos de trapos e deu uma risada arrogante. Mandou jogar fora. Karen ficou p! Chegou o dia da primeira comunhão e Karen precisava de sapatos brancos. Na vitrine do sapateiro, havia um par de sapatos vermelhos brilhantes. Karen quis, mas a velhinha disse não. Ainda magoada com o ato da velha, a menina trocou os sapatos brancos pelos vermelhos, e quando entrou na igreja... Escândalo!

A velhinha teve um piripaque e morreu. Triste, Karen voltou pra casa, mas não conseguiu tirar os sapatos. Sentindo-se culpada, ela foi ao velório e todos comentaram seus sapatos vermelhos. De repente, os sapatos começaram a dançar. Karen tentava se controlar, mas seus pés não paravam. Ultraje ainda maior! Ela foi expulsa da igreja e foi dançando em direção ao bosque. Chorando e dançando, ela recebeu a visita de um anjo – essa era a parte que me dava medo. Era um David de Michelangelo com indicador de Tio Sam, envolto por uma luz amarela – que a condenou por desobediência. Perguntou se ela não sentia gratidão por uma senhora bondosa que a acolheu e deu um lar.

Caindo de remorso, mas ainda dançando, Karen pediu perdão. O anjo disse que seria perdoada quando se livrasse dos sapatos. Dançando e chorando, ela encontrou um lenhador. Explicou tudo, o quanto se sentia culpada, e pediu para que ele cortasse seus pés! Com uma lágrima nos olhos, o lenhador atendeu ao pedido. Na ilustração: Karen com cara de grata, com duas muletas e sem os pés; os sapatinhos indo embora, dançando.

Pois bem, este post serviu para enfatizar a importância da literatura infantil. Mesmo passado alguns anos, ok, quase duas décadas, ainda usufruo de seus benefícios. É extremamente importante exercitar e estimular o lúdico. Se você tem filhos, leia para ele e não duvide de sua inteligência. Se você já é adulto, exercite sua capacidade de imaginação.

3.2.08

carnaval e apêndice

Domingo de carnaval: Hora de pôr as perninhas para fora e mostrar a malemolência aprendida durante o ano! É o fusquinha que passa toda hora tocando Trem das Onze, os blocos de uma música só e Nelson Rubens dizendo “OK, OK, OK” em roupa de gala. E lá vou eu queimar (de novo) o filme do Fugiro... É neste ponto que você deve pensar se continua lendo ou pula para o apêndice. A escolha é sua! o fusquinha que passa toda hora tocando marchinhas s perninhas

Tenho carência em festas populares. Nunca fui fantasiado para bailinhos de carnaval, nem nunca pulei quadrilha em festa junina. Talvez seja por isso que tenho prazer em apresentar a Micareta do Fugiro! Já vestiu seu abadá?

Ainda no século passado, fomos bombardeados por uma febre que deixou um monte de menininha grávida (porque só os adultos vêem a malícia). O axé music nos apresentou É o Tchan, que por sua vez nos apresentou Carla Perez, Sheilas, Beto Jamaica, Jacaré e Cumpadre Whashington – até hoje não se conhece a função deste no grupo. Enfim, eles homenagearam a cultura japonesa com um hit chamado Arigatchan, que apresento no vídeo abaixo.




E o que eu não esperava: Um japa expert na dança! Arrasa bee!




Bom, já botei o pé na jaca e a ressaca vai ser braba! Juízo na folia! Assim que conseguir uma foto da Bismarch eu posto aqui.

-----------------------------------------------------------------------------------------

APÊNDICE




Ano passado, o Masp recebeu a exposição sobre Darwin, a mesma do Museu de História Natural de Nova York. De tanto adiar, acabei não indo, motivo de arrependimento profundo. Como Deus é bom, a exposição voltou ao Brasil, agora em terras cariocas. Não dá para perder, não é sempre que uma exposição do MHNNY passa por aqui. Site.

Onde: Museu Histórico Nacional / Quando: 23/01 – 13/04 / Quanto: R$ 15,00

Jedis, quebrem o porquinho! Star Wars – The Exhibition chega ao prédio da Bienal no dia 1° de março e vai só até junho. Ainda não vi nenhum anúncio, apenas vi na agenda da Fundação Bienal. Serão 200 peças que fizeram parte dos seis filmes. O que eu quero ver? Tudo, principalmente os figurinos da Rainha Amidala e Darth Vader. Chewie, me aguarde!

Falando em figurino, deixo pro final uma dica bem bacana. O Metropolitan Museum traz o “blog.mode: adressing fashion”. Quem estiver em NY, poderá ver as roupas de diferentes datas até abril. Mas quem não vai estar por lá, pode ver tudo pelo blog da exposição. É interessante até para quem não liga para moda.

1.2.08

acessórios

Aos poucos vou incrementando os serviços deste blog. Hoje adicionei a lista de blogs que leio diariamente, verdade verdadeira. Começando pela Karina Libanesa, que tem o dom de apresentar as coisas mais toscas do mundo. Foi pelo blog dela que conheci outros quatro: “Ah, tá bom então”, “Shoe-me”, “Dri Spaca” e o “Indi(a)gestão”.

O “Ah, tá bom então” é do Alexandre Bessa, que escreve de tudo um pouco, sempre de uma forma simples e elegante. Gosto quando ele fala de cinema e arte. Foi na página dele que vi o curta Opus 66 e tive pesadelos. Ele acabou de comentar sobre “Os Corvos”, um dos segmentos de Sonhos, do Akira Kurosawa.

Adriana Spaca é odiada por muitos, não sei bem por quê. Ela e suas celebridades B fazem meu dia mais alegre, especialmente quando tem um anônimo fazendo seu book fotográfico. Já o “Idas e Vindas” é mais sério, são os relatos de viagem de Carla Portilho. Não sei bem como cheguei lá, estava pesquisando sobre o Peru e acabei ficando.

O “Indi(a)gestão” é cômico e trágico. O cotidiano de Sandra Bose em Nova Deli mostra que a Índia não é tão espiritualizada como é vendida no exterior. Adoro as curiosidades da Increadible Índia, mas perdi o ânimo de ir lá, talvez dar um pulo... O Papel Pop é como o nome diz, pop. Dá pra viver sem, mas é sempre legal dar uma olhadinha.

Hoje recebi a visita de uma leitora que entrou aqui perdida e acabou gostando do que viu. Fui retribuir a visita e encontrei um blog bem simpático. Não sei muito sobre sua autora, só sei que gosta de aipo, japonices e do Orlando Bloom. Ah, ela também é leitora do Shoe-me. Falando nisso... Como já disse, conheci o blog da Sarah pela Libanesa, justamente no hilário post sobre o recém-inaugurado site de Ellen Jabour. Ela “chocha” o figurino das celebridades, na verdade, ela “chocha” quem merece ser “chochado”.

Bom, este são alguns dos blogs que leio diariamente. A lista ainda vai crescer. Dúvidas, críticas e sugestões, mande para dekombi@gmail.com ou deixe nos comentários!

31.1.08

o japonês tranqüilo e cinema à flor da pele




O blog andou meio bagaceiro depois do post sobre Ângela Bismarchi. Para compensar, trago um pouco de beleza. Na primeira metade da década de 1990, Kiyonori Toda veio com sua família trabalhar no Rio. Assustado e curioso, ele perambulou pelas ruas cariocas para ver se a cidade era realmente tão violenta e miserável como lhe disseram antes de vir. Numa dessas andanças, ele entrou num sebo e encontrou um livro de um ilustrador alemão. Nas páginas, paisagens e o cotidiano brasileiro em desenhos feito com caneta hidrográfica. Animado, resolveu fazer o mesmo. O que ele não esperava, era que esses desenhos o aproximariam dos curiosos brasileiros. “Certa vez, eu desenhei o rosto de uma pessoa que se aproximou de mim. Aí, me vi numa situação embaraçosa, pois muitas outras pessoas também vieram, uma atrás da outra, me pedindo para também desenhá-las”, diz ele na apresentação do livro que reúne suas ilustrações. O livro chama-se Rio – Cidade Maravilhosa e teve poucos exemplares impressos, dados apenas a amigos antes de voltar ao Japão, em 1994.


Para mim, é impossível ver um filme sem reparar na trilha sonora. A última que gostei e já está no meu mp3 player, é a de Dario Mariatelli para Desejo e Reparação, uma dobradinha com o diretor de Orgulho e Preconceito. Mas a que está há um bom tempo tocando no meu ouvido, são as trilhas de Amor à Flor da Pele e 2046, ambas de Shigeru Umebayashi. Ah, os dois filmes são de Kar Wai Wong. Trilha boa não precisa ser, necessariamente, linda. É preciso que a música case com as cenas do filme, e as de Umebayashi casam perfeitamente com as exageradamente belas seqüências de Kar Wai Wong. Assim como Denny Elfman, Shigeru Umebayashi também veio de uma extinta banda de rock, a EX. Com o fim do grupo em 1984, ele começou a compor para filmes e programas de televisão, já são mais de 40 trilhas. Umebayashi renovou a parceria com o sr. Wong em My Blueberry Nights e está no próximo projeto do cineasta, The Lady from Shanghai.

No vídeo, uma seqüência de Amor à Flor da Pele (já nas locadoras). A música é Yumeji’s Theme.



17.1.08

if i was a rich girl



Em plena São Paulo Fashion Week, aproveito o momento para falar dos modernosos de Harajuku. O bairro de Tóquio é o cenário para as meninas e meninos desfilarem seus styles exclusivos e serem fotografados por jornalistas e turistas. Andar lá, vestido como eu e você, jeans e camiseta, é sentir-se como um peixe fora d’água.




Enquanto o mundinho ocidental já havia experimentado todos os movimentos contestadores do rock, os japoneses ainda não tinham encontrado sua imagem de rebeldia. Cansados do rigor dos costumes milenares e da máxima “todo japonês é igual”, os adolescentes encontraram nas sofisticadas lojas de Harajuku seu manifesto de contestação. E foi assim, no final da década passada, que esse povo passou a ditar moda.

Dentro dessa gente libertária, há subdivisões bem claras. O Visual Band copia o estilo das bandas de rock com um pé no gótico. Marilyn Manson é rei, mas Edward Mãos de Tesoura também é legal. As Gyarus (fale girl com sotaque) e Yamambas vivem no mundo rosa da Barbie, são aquelas meninas com cor de Oompa Loompa, oxigenadas e carregadas de acessórios Hello Kitty (quem será que relançou a febre?). A versão masculina delas são os Surfers, porque eles também querem ir pra Califórnia viver a vida sobre as ondas. Bom, praia e ondas não importam, o que vale é ser loiro parafinado, pele laranja e músculos bem tonificados





Esqueça a Lolita do Nabokov, as de Harajuku ou são românticas de dar cárie, mas também são safadinhas. Vestem muita renda e carregam bichinhos de pelúcia, princesas distorcidas do século XVIII. As mais provocativas preferem os modelos vintage, meias até o joelho e maria-chiquinha. Mais próximas das Lolitas estão as Kireime, são comportadas e mantêm a pele bem branca e maquiagem leve. Se Band, Gyaru, Surfer e Lolita são os estilos mais badalados, há o outro lado. A turma underground é a Ura-hara (Ura Harajuku, atrás de Harajuku). São mais velhos e, talvez, os cabeças dessa gente. Estudam design, trabalham com moda em geral e adoram o visual dos skatistas, idies, punks...






Frequentemente são chamados de rebeldes de butique, e são mesmo. Enquanto aqui, o povo faz fila para o saldão da Marabraz e Casas Bahia, lá eles acampam em frente à Prada, Gucci, Louis Vuitton. Todo esse desfile acontece aos domingos, quando as ruas são fechadas ao trânsito. No começo do dia e no fim da tarde, os banheiros das lanchonetes ficam lotados de gente se produzindo ou voltando pro figurino cotidiano. Não, eles não se vestem assim todo dia, as responsabilidades da rotina não permitem.





Enfim, mas o que os Harujuku Guys têm a ver com a gente? Muita coisa, pequeno gafanhoto, muita coisa. Como já disse, eles ditam moda e a consomem. Marc Jacobs vira e mexe diz que se inspira no recanto de Tóquio para suas coleções da Luis Vuitton. Os rappers americanos compram seus acessórios essenciais na Bathing Ape e, claro, Gwen Stefani tem suas 4 Harajuku Girls e sua grife L.A.M.B. Mais próximos de nós, Alexandre Herchcovitch declara-se grande observador desses jovens. Oskar Metsavaht, com que já conversei sem saber quem era (ou não era?), é entusiasta com a cultura de moda no Japão, e isso acaba influenciando suas coleções para a Osklen. Ontem mesmo foi possível ver isso em sua coleção inspirada nas grandes cidades.

Confesso que não tenho jabaculê nem paciência pra ser um Harajuku Boy, mas tenho uma jaqueta vinda daquelas bandas, pena que o calor carioca não me permite usar. E você, tem talento pra seguir o estilo? Mande uma foto pro blog!




Livro: Japanese Beauties
Gross, Alex. Editora Taschen

15.1.08

miyazaki's world

*clip com cenas de O Castelo Animado e o belíssimo tema composto por Joe Hisaishi

Em 2002, “A Viagem de Chihiro” dividiu o Urso de Ouro com o também excelente “Domingo Sangrento”. Até então, o nomes Hayao Miyazaki e Studio Ghibli não eram conhecidos no mainstream cinematográfico. Meses depois veio a indicação ao Oscar de melhor animação, e a Disney (distribuidora nos EUA) teve que dar atenção à animação japonesa. Há uma história que o estúdio do Mickey sempre escondeu os filmes da Ghibli para não competir com suas produções, verdade ou não, o mercado ditado por Hollywood só conheceu as animações de Miyazaki após Chihiro. Uma grande pena, principalmente para quem queria ver e não tinha acesso. Salve a internet!

Os filmes da Ghibli chegavam em casa através de fitas VHS ou Beta (sim, eu peguei a era Beta e seu controle remoto com fio) gravadas ou copiadas por alguém que vinha do Japão. Era a senhora expectativa quando um filme era lançado. “Meu Vizinho Totoro”, “Nausicaa do Vale do Vento” (disponível em HQ), “O Túmulo dos Vaga-Lumes”, “Kiki’s Delivery Service”, “Laputa: Castle in the Sky”, “Porco Rosso”, “Princesa Mononoke”. Tudo era visto e revisto 50 vezes! E como chorávamos!

Há uma incrível simplicidade nessas animações, e ao mesmo tempo são complexas e detalhistas; sofisticação e delicadeza difíceis de serem encontradas num filme comum. As estupendas trilhas foram compostas pelo talentosíssimo Joe Hisaishi. Há alguns anos, ele fez um concerto só com as trilhas, há alguns vídeos no Youtube Salve Todos. Um dos grandes fãs é John Lasseter, antigo chefe de animação da Pixar e atual da Disney. O criador de Toy Story fez questão de supervisionar a dublagem em inglês de “A Viagem de Chihiro”, tudo para que nada saísse do tom ou fosse cortado. Na época do lançamento, circulava a notícia de uma co-produção entre Miyazaki e a Pixar.

Ótimos adjetivos não faltam aos filmes do senhor Miyazaki e seu estúdio. Para nossa sorte, seus últimos filmes têm chegado a terras tupiniquins, agora é torcer pelo lançamento de suas produções anteriores e aguardar “Gake no Ue no Ponyo – Ponyo on a Cliff”. Se você puder ver estes filmes, veja! Faz um bem danado pra saúde!

Meus favoritos e seus respectivos anos de lançamento no Japão. É só clicar para ver o trailer. Desculpe o mega post, mas acho Miyazaki obrigatório. Com exceção de “Túmulo dos Vaga-Lumes”, todos foram dirigidos por Miyazaki.

Nausicaa do Vale do Vento (Kanze no Tani no Nausicaa) – 1984

Laputa – Castle in the Sky (Tenku no Shiro Rapyuta) – 1986

Túmulo dos Vaga-Lumes (Hotaru no Haka) – 1988

Meu Vizinho Totoro (Tonari no Totoro) – 1988

Kiki’s Delivery Service (Majo no Takkyubin) – 1989

A Viagem de Chihiro (Sen to Chihiro no Kamikakushi) – 2001

O Castelo Animado (Hauru no Ugoki Shiro) – 2004

14.1.08

márcia who?

No final dos anos 80, quando karaokê era apenas uma palavra estranha, Márcia Nishie lançou-se como uma cantora de hits japoneses, na verdade só um hit, o meloso “Furimukeba Yokohama”. Lembra? Apresentou-se até no Fautão! Infelizmente o Youtube não tem esse vídeo, mas dá pra refrescar a memória aqui! De olho numa carreira internacional, Márcia juntou suas trouxas e se mandou pra terrinha, deixando sua Mogi das Cruzes para trás. A jornada épica começou com uma gafe no restaurante. Apesar de cantar em japonês, falava muito mal. Louca pra comer carne, soltou a seguinte exclamação: “Ushi tabetai!” (trad. “quero comer boi!”). Risadas a parte, Márcia perseverou tal qual Scarlett O’Hara. Virou atriz e cantora, casou-se com um ator famoso, flagrou-o com a amante e se separou. Vítimas de muito boatos e flashes, figura constante nas tvs de lá, Márcia tornou-se a filha ingrata de Mogi. Em 2004, declarou: “Aprendi a não ser brasileira e estudei para ser igual a uma japonesa”. Pedradas e tomatadas! Para quem vive aqui, é difícil entender a vida dos dekasseguis (afinal Márcia não deixa de ser uma) e é muito fácil criticá-la. Os japoneses não são tão friendly e a adaptação requer muitos sacrifícios, vide a evasão escolar das crianças brasileiras lá. Todo mundo sabe que para ser aceito num grupinho é preciso ser um deles, afinal, não dá pra ser roqueiro e Cumpadre Washigton ao mesmo tempo. Não sei o objetivo deste post, só queria falar da Márcia e seu eterno hit que me persegue. Aqui tem uma lista de nipo-brasileiros famosos (?). Tá, alguns são bem conhecidos.

10.1.08

100 anos atrás




Lá no início do século XX, quando o Japão deixou de ser feudal e passou a mecanizar suas lavouras, milhões de trabalhadores perderam seus empregos e a miséria se alastrou pelas cidades. O que fazer com tanta gente? Mandar pra fora, ora. Na mesma época, o governo italiano havia proibido a imigração de seus filhos para o Brasil, logo, a terra prometida estava carente de trabalhadores nas lavouras de café. E foi assim que, em junho de 1908, 165 famílias desembarcaram no Porto de Santos.

Kasato Maru, o navio que trouxe as primeiras 165 famílias / Imigrantes indo para o interior.

Com o fim da Primeira Guerra, o número de imigrantes deu um grande salto. Além de resolver o problema demográfico nas cidades rurais, o governo japonês queria expandir a etnia e a cultura nipônica pelo mundo. A maioria deles permaneceu no campo, desenvolvendo o cultivo de arroz, morango, chá e pimenta-do-reino. Bom, se temos verduras, legumes e frutas de alta qualidade hoje, devemos aos agricultores japoneses que aperfeiçoaram as plantações com irrigações, estufas e enxertos.

Estima-se que há 1,5 milhão de nipo-brasileiros hoje, a maior colônia japonesa fora do Japão. Se lá no início do século passado, o governo japonês queria disseminar a cultura e a etnia de seu país, acho que conseguiu. Ou foi o contrário? Não importa. Em comemoração ao centenário da imigração japonesa, abro este modesto blog para esmiuçar o cotidiano de uma família japonesa há quase 50 anos nesta terra. Não, não, não sabemos sambar, mas adoramos uma moqueca e falamos “paralelepípedo” sem embolar a língua. Falamos e damos aula de japoguês.