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7.12.08

salariman


Dias desses meus pais estavam comparando Shall We Dansu com seu remake hollywoodiano. “Eles fizeram tudo igualzinho, mas Richard Gere não tem cara de sarariman”.

“Salariman”. Há milênios não ouço essa palavra, que vem, japoneticamente falando, do inglês salaryman. São pobres assalariados que realizam trabalhos burocráticos dentro de grandes corporações. A imagem de sujeitos desanimados e pouco originais é sempre usada em filmes e mangas. Fora da ficção, são facilmente identificáveis, pois são tão caricaturais quanto.

Como reconhecer um sarariman:

- É mais que evidente que sua vida gira ao redor do seu cubículo no escritório

- Estão sempre fazendo hora-extra

- São pouco originais – em todos os sentidos

- Pouco competitivos

- Obedientes dentro da empresa

- Adoram um karaokê e fumam loucamente

- Estão sempre de camisa branca, terno e gravata.

Os mais radicais são chamados de kaisha no inu (cachorro da empresa, numa tradução mais livre). Os que se rebelam e querem sair dessa vida, cometem o datsusara, que significa sair do emprego e arranjar outro trabalho. A nova ocupação é ser dono do próprio nariz, ser o próprio patrão. Opção difícil, pois não há garantia de sucesso e é preciso uma boa quantia de dinheiro para poder recomeçar.

Então, caro leitor, quando vir um sujeito parecido com a descrição acima, dê um sorriso e mostre que há vida inteligente fora do escritório!

Salaryman 6. Dir. Jake Knight

25.3.08

aos fashionistas deste blog



Alexandre Herchcovitch diz que o brasileiro ousa muito pouco quando se trata de moda. Concordo plenamente, por isso adoro o libertário japanese way de se vestir. Pesquisando sobre a figurinista Milena Canonero (+ em breve), descobri o Tokyo Street Style, um site com fotos de transeuntes estilosos de cinco áreas da capital nipônica. Passeando pelo mundinho fashion daqui, vejo sempre a mesma tentativa em ser hype: big óculos escuros, carinha blasé e um look desconexo. No TSS dá para se inspirar e fugir de caricaturas.

Antes que brasileiros xiitas e sunitas atirem pedras em mim. Quando falo que brasileiros são conservadores, me incluo também. Não saio da zona segura e nem tenho paciência para editorial de moda (meu cabelo é testemunha). Se abrirem meu armário, verão que não passo do clichê jeans e camiseta.



14.2.08

doce mais doce que doce de batata-doce

Feliz Dia de São Valentim! O mundo inteiro comemora hoje o dia dos namorados, ou o dia da consciência solteira. Aqui no Brasil, seguimos a tradição portuguesa e comemoramos em junho, na véspera do dia de Santo Antônio. Porém, caro leitor, não custa nada comemorar hoje também. Apesar de ser dia dos namorados, as pessoas dão presentes e cartões para amigos, pais, irmãos... Não precisa estar namorandinho. Happy Valentine’s Day!

Já que o post está açucarado, quase diabético, adiciono o vídeo do Snow Patrol. Porque não há nada mais fofo que uma criança fantasiada de homem-aranha.


8.2.08

fugiro entrevista

O Fugiro “rouba” um pouco a idéia do Expatriados e lança uma nova sessão, O Fugiro Entrevista. Nessa primeira edição, eu entrevisto Mari Ueoka, que vive há quase 11 anos no Japão. Filha de japoneses, nasceu e cresceu no Brasil. Casada e com três filhos – Yúmin, Lukas e Leonardo – ela divide-se entre o trabalho e os cuidados com a família. Senhoras e senhores, eu apresento Mari.




Há quanto tempo está no Japão?

Já se passaram 10 anos e 6 meses. Cheguei em Hiroshima em agosto de 1997.

Mari, você fez o caminho inverso e foi para o Japão com sua família. Como foram os primeiros meses? Pior ou melhor que você esperava? E a adaptação?

Como meus pais já moravam aqui, viemos mais seguros, pois se houvesse alguma dificuldade, os meus pais nos ajudariam. E a adaptação foi tranqüila, mesmo no primeiro inverno, que é muito frio, adorei!!Pois eu vim grávida e no início de dezembro, no dia que o Leo nasceu, nevou! Foi a primeira vez que vi e senti a neve!!!

Muitos filhos de dekasseguis saem da escola. Seja por não conseguirem acompanhar o ritmo, as diferenças dos idiomas ou por bullying (implicância) que sofrem de colegas de classe. A Yúmin teve problemas em se adaptar?

Ela não teve nenhum problema tanto na creche e na escola primária. Acho que por morarmos numa cidade pequena os estrangeiros são ainda novidades para os pequenos japoneses até mesmo para alguns pais.A Yúmin agora está se formando no curso ginasial. Nesse período de adolescência é um pouco delicado. Mas problema por bullying por ser estrangeira, não teve.

Falando em bullying, você sente preconceito com os dekasseguis?

Como aqui na minha cidade não tem muitos dekasseguis, não vejo preconceito. Os estrangeiros são tratados como cidadãos igual aos japonêses. Pagamos impostos, procuramos seguir as normas da cidade, participamos dos eventos e festivais.

Como é seu dia-a-dia?

Acho que agora vai ficar mais agitada, pois o Leo ainda estará na escola primária, o Lukas irá para o ginásio que a escola fica numa outra cidade e a Yúmin começará o colegial, que é na capital de Hiroshima. E como preocupo com as crianças em relação à escola, procuro participar nas reuniões, atividades, eventos, apresentações deles nas escolas. Pensando em família, nos fins de semana, procuramos passear. Agora no inverno, não temos muitas opções, por causa do frio e da neve. Nós vamos nos shoppings, pois tem tudo em um lugar. Passeio extra é ir na pista de esqui, pois só tem no inverno.

Quando esquenta passeamos para lugares abertos, até um churrasquinho com os amigos no parque fazemos.

Depois de tantos anos, seu olhar sobre o Brasil mudou?

Tive no Brasil há 4 anos. O Brasil mudou externamente, mas internamente, eu não posso te dizer, pois não moro aí. Assistindo notícias pela tv, ou lendo artigos pela internet, não é suficiente para saber.

Tem planos de voltar?

Para falar a verdade, no momento não planejamos. Pensando no bem estar das crianças (que são mais japonesas que brasileiras), na educação, que para o Leo ainda faltam 10 anos (se ele fizer uma faculdade), nós vamos ficando por aqui. Quando eles já estiverem independentes, quem sabe eu e o Mauro pensaremos em voltar.

7.2.08

boa noite



Se você me pedir para imaginar a história de um chumaço de algodão que vira cotonete para se vingar das manicures que usaram seus familiares para tirar esmalte, eu imagino. Devo essa imaginação fértil a centenas de coisas, mas principalmente às histórias que ouvi quando criança. Em casa havia, e ainda há, uma coleção com histórias dos Irmãos Grimm, Hans Christian Andersen. Esopo, Arabian Nights... As ilustrações não eram bonitas e nem atraentes, mas os contos estavam lá, no original, sem adaptações – A Pequena Sereia não tinha final feliz e a Bela tinha duas irmãs esnobes... Ah, sim, os livros estavam em japonês. Então, se você me perguntasse quem eram meus autores favoritos, eu responderia “Anderusen” e “Gurimmu kyodai’. Havia ainda um livro com 100 contos do folclore japonês, incluindo Momotaro e a Mulher da Neve (minha favorita). Porém, a mais pedida por mim e minha irmã era a história de Karen e seus sapatinhos vermelhos. Sabe quando você pisa numa barata e precisa ver se ela morreu? Era mais ou menos isso. Eis aqui a história:

Karen sempre sonhou em ter sapatos vermelhos, mas sendo órfã e pobre de doer, nunca pôde comprar um. Durante muito tempo, ela juntou todo tipo de retalho vermelho que encontrou, até costurar um sapato. Feliz da vida, saracoteava pelo bosque e acabou conhecendo uma bondosa senhorinha que a adotou. Ao chegar em casa, a velhinha viu os sapatos de trapos e deu uma risada arrogante. Mandou jogar fora. Karen ficou p! Chegou o dia da primeira comunhão e Karen precisava de sapatos brancos. Na vitrine do sapateiro, havia um par de sapatos vermelhos brilhantes. Karen quis, mas a velhinha disse não. Ainda magoada com o ato da velha, a menina trocou os sapatos brancos pelos vermelhos, e quando entrou na igreja... Escândalo!

A velhinha teve um piripaque e morreu. Triste, Karen voltou pra casa, mas não conseguiu tirar os sapatos. Sentindo-se culpada, ela foi ao velório e todos comentaram seus sapatos vermelhos. De repente, os sapatos começaram a dançar. Karen tentava se controlar, mas seus pés não paravam. Ultraje ainda maior! Ela foi expulsa da igreja e foi dançando em direção ao bosque. Chorando e dançando, ela recebeu a visita de um anjo – essa era a parte que me dava medo. Era um David de Michelangelo com indicador de Tio Sam, envolto por uma luz amarela – que a condenou por desobediência. Perguntou se ela não sentia gratidão por uma senhora bondosa que a acolheu e deu um lar.

Caindo de remorso, mas ainda dançando, Karen pediu perdão. O anjo disse que seria perdoada quando se livrasse dos sapatos. Dançando e chorando, ela encontrou um lenhador. Explicou tudo, o quanto se sentia culpada, e pediu para que ele cortasse seus pés! Com uma lágrima nos olhos, o lenhador atendeu ao pedido. Na ilustração: Karen com cara de grata, com duas muletas e sem os pés; os sapatinhos indo embora, dançando.

Pois bem, este post serviu para enfatizar a importância da literatura infantil. Mesmo passado alguns anos, ok, quase duas décadas, ainda usufruo de seus benefícios. É extremamente importante exercitar e estimular o lúdico. Se você tem filhos, leia para ele e não duvide de sua inteligência. Se você já é adulto, exercite sua capacidade de imaginação.

1.2.08

acessórios

Aos poucos vou incrementando os serviços deste blog. Hoje adicionei a lista de blogs que leio diariamente, verdade verdadeira. Começando pela Karina Libanesa, que tem o dom de apresentar as coisas mais toscas do mundo. Foi pelo blog dela que conheci outros quatro: “Ah, tá bom então”, “Shoe-me”, “Dri Spaca” e o “Indi(a)gestão”.

O “Ah, tá bom então” é do Alexandre Bessa, que escreve de tudo um pouco, sempre de uma forma simples e elegante. Gosto quando ele fala de cinema e arte. Foi na página dele que vi o curta Opus 66 e tive pesadelos. Ele acabou de comentar sobre “Os Corvos”, um dos segmentos de Sonhos, do Akira Kurosawa.

Adriana Spaca é odiada por muitos, não sei bem por quê. Ela e suas celebridades B fazem meu dia mais alegre, especialmente quando tem um anônimo fazendo seu book fotográfico. Já o “Idas e Vindas” é mais sério, são os relatos de viagem de Carla Portilho. Não sei bem como cheguei lá, estava pesquisando sobre o Peru e acabei ficando.

O “Indi(a)gestão” é cômico e trágico. O cotidiano de Sandra Bose em Nova Deli mostra que a Índia não é tão espiritualizada como é vendida no exterior. Adoro as curiosidades da Increadible Índia, mas perdi o ânimo de ir lá, talvez dar um pulo... O Papel Pop é como o nome diz, pop. Dá pra viver sem, mas é sempre legal dar uma olhadinha.

Hoje recebi a visita de uma leitora que entrou aqui perdida e acabou gostando do que viu. Fui retribuir a visita e encontrei um blog bem simpático. Não sei muito sobre sua autora, só sei que gosta de aipo, japonices e do Orlando Bloom. Ah, ela também é leitora do Shoe-me. Falando nisso... Como já disse, conheci o blog da Sarah pela Libanesa, justamente no hilário post sobre o recém-inaugurado site de Ellen Jabour. Ela “chocha” o figurino das celebridades, na verdade, ela “chocha” quem merece ser “chochado”.

Bom, este são alguns dos blogs que leio diariamente. A lista ainda vai crescer. Dúvidas, críticas e sugestões, mande para dekombi@gmail.com ou deixe nos comentários!

31.1.08

o japonês tranqüilo e cinema à flor da pele




O blog andou meio bagaceiro depois do post sobre Ângela Bismarchi. Para compensar, trago um pouco de beleza. Na primeira metade da década de 1990, Kiyonori Toda veio com sua família trabalhar no Rio. Assustado e curioso, ele perambulou pelas ruas cariocas para ver se a cidade era realmente tão violenta e miserável como lhe disseram antes de vir. Numa dessas andanças, ele entrou num sebo e encontrou um livro de um ilustrador alemão. Nas páginas, paisagens e o cotidiano brasileiro em desenhos feito com caneta hidrográfica. Animado, resolveu fazer o mesmo. O que ele não esperava, era que esses desenhos o aproximariam dos curiosos brasileiros. “Certa vez, eu desenhei o rosto de uma pessoa que se aproximou de mim. Aí, me vi numa situação embaraçosa, pois muitas outras pessoas também vieram, uma atrás da outra, me pedindo para também desenhá-las”, diz ele na apresentação do livro que reúne suas ilustrações. O livro chama-se Rio – Cidade Maravilhosa e teve poucos exemplares impressos, dados apenas a amigos antes de voltar ao Japão, em 1994.


Para mim, é impossível ver um filme sem reparar na trilha sonora. A última que gostei e já está no meu mp3 player, é a de Dario Mariatelli para Desejo e Reparação, uma dobradinha com o diretor de Orgulho e Preconceito. Mas a que está há um bom tempo tocando no meu ouvido, são as trilhas de Amor à Flor da Pele e 2046, ambas de Shigeru Umebayashi. Ah, os dois filmes são de Kar Wai Wong. Trilha boa não precisa ser, necessariamente, linda. É preciso que a música case com as cenas do filme, e as de Umebayashi casam perfeitamente com as exageradamente belas seqüências de Kar Wai Wong. Assim como Denny Elfman, Shigeru Umebayashi também veio de uma extinta banda de rock, a EX. Com o fim do grupo em 1984, ele começou a compor para filmes e programas de televisão, já são mais de 40 trilhas. Umebayashi renovou a parceria com o sr. Wong em My Blueberry Nights e está no próximo projeto do cineasta, The Lady from Shanghai.

No vídeo, uma seqüência de Amor à Flor da Pele (já nas locadoras). A música é Yumeji’s Theme.



23.1.08

to-bo and the real girl



Recorro ao imbecil discurso do senador Gilvam Borges (PMDB – AP) em defesa de seu amigo Renan Calheiros para abrir este post: “Nós, homens, desde Adão e Eva estamos sujeitos à sedução das mulheres”. Coitados dos pobres homens, vítimas do pecado chamado mulher! Escolhi as aspas acima porque, embora a considere ridícula, sintetiza a linha de pensamento de alguns homens japoneses. O fato é que eles estão demorando a entender a emancipação feminina e passaram a vê-las como um mal. Sabendo disso, empresas de entretenimento adulto encontraram nessa gente seu público alvo. A Orient Doll fabrica bonecas de silicone para fins sexuais ou simplesmente afetivos. No vídeo, o engenheiro identificado como Ta-Bo diz que mulheres enganam e traem, mas as bonecas não fazem isso (ainda bem, só se for o Chuck). Ele já gastou uma fortuna com elas e TEM (atenção para o sentido possessivo) 100 sex dolls. Medo, muito medo!

O preço das bonecas varia entre mil e 6 mil dólares, fora os apetrechos como acessórios, guarda-roupa e maquiagem. Todas têm feições infantis, já que a sociedade japonesa incentiva o comportamento infantilizado e submisso da mulher. Nada mais irritante que aquelas mulheres com voz e trejeitos de uma criança de cinco anos. Como diz minha irmã, dá vontade de dar um soco. Estranho, muito estranho!




Os idosos também são público-alvo dos fabricantes de bonecos. Os velhinhos japoneses buscam companhia nos interativos bonequinhos Yumel, equipados com sensores e com mais de 1000 frases na memória, eles conseguem fazer combinações e conversar. Os Yumels podem ser programados de acordo com a rotina de seu dono, como lembrar a hora do remédio etc. A Grow lançou esses bonecos no Brasil com o preço médio de 170 reais.




O relacionamento afetivo com bonecos é só uma conseqüência da estranha e silenciosa sociedade japonesa, que como um adolescente rebelde, entra em casa e se tranca no quarto para evitar o contato com os outros. Nessa história toda de dolls, eu prefiro a Bianca do Lars, pelo menos a história é bonitinha. Kkkkkkkk!


10.1.08

dieta fusion

Com ou sem intimidade, as pessoas adoram me perguntar sobre tudo. Quando eu era criança, as perguntas vinham em velocidade de metralhadora: “Você mora aqui ou lá?”, “na sua casa você fala português ou japonês?”, “você vai casar com uma brasileira ou com uma japonesa?”, “você anda de quimono?”, “você tem garfo em casa?” etc. Mas a campeã é “você come sushi todo dia?”. Não, pequenos gafanhotos, eu não como sushi todo dia e nem conheço ninguém que coma. Contudo, acho que o cardápio de casa seja diferente da maioria dos lares brasileiros. A começar pelo arroz nosso de cada dia, que é diferente do Tio João do supermercado. Cozido sem nenhum tempero, apenas água.



Uma ultra moderna panela de arroz da Tiger. Conhecidas vulgarmente como "okamas", porém o termo é politicamente incorreto. "Okama" é o mesmo que bicha, viado, salta-pocinha...

Quando estamos fartos de carnes, peixe e coisas cotidianas, apelamos para ochazuke (que é cotidiano, mas não aqui em casa), que nada mais é que uma porção de arroz com chá (ocha), a conserva que tem em casa ou feita na hora, uma omelete; ou simplesmente as sobras na geladeira. Tá certo que é uma refeição light e duas horas depois dá fome, mas dá uma variada no cardápio que é uma beleza. No dia seguinte voltam os bifes, refogados, massas...


Tigelas com arroz, chá e uma mistura para ochazukes (algas secas, biscoito de arroz).


Mas por que fusion? Porque não importa a origem da receita, sempre se incorpora um ingrediente típico japonês (shoyu? Quase sempre aparece) ou um japanese style na hora do preparo. Se não tem funghi ou portobello para fazer o molho que acompanhará a carne, vai shitake mesmo. Pegadores não funcionam, o negócio é usar hashi. Na falta de vinho, o mirin (saquê culinário) equilibra a acidez e dá o aroma alcoólico. Tempurás de legumes e camarão fazem sucesso, assim como o de jiló, coisa nunca vista nas terras de lá. Só meu pai, que uma vez levou escondido algumas sementes e deu para minha tia plantar. Nasceram os jilós mais amargos da galáxia, mas viraram hit.


Arroz, salada verde, carne, conserva de nabo e misoshiro / arroz, misoshiro, peixe grelhado com nabo ralado / arroz, conserva de pepino, misoshiro, mabu dofu (tofu picante), refogado de frando e salada verde.


Os sushis servidos por aqui também precisaram se adaptar. Já que os peixes que lá nadam, não nadam como cá, o jeito foi ver o que o mercado oferece, como o namorado, muito usado em todos os restaurantes (dos desconhecidos aos badalados). Fora as combinações que os mais puristas torcem o nariz, acho que experimentações são sempre bem-vindas, mas não me venha com sushi de morango e abacaxi!

A culinária japonesa é bem definida, mesmo utilizando os mesmos produtos que os outros países asiáticos usam. Já a brasileira é uma coisa, incorporou as influências de todos os imigrantes que aqui permaneceram. Naturalmente, a gente também. De estrogonofe a charuto, passando por risoto e lasanha, com direito a apple crumble e sachertorte de sobremesa. Ah, no feijão a gente não mexe, mas come com arroz japonês. E eu adoro um queijo ralado por cima.