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21.3.08

kasatô marú e festa de que não começou

O jornal francês Liberation.fr publicou um artigo sobre as comemorações do Centenário da Imigração Japonesa no Brasil. Os franceses se surpreenderam com o fato de um país celebrar uma imigração e indagaram por que nunca houve esse tipo de comemoração na França. Quem conta melhor é a Maria Lina, do blog Conexão Paris: “Uns indagam porque na França nunca houve comemorações deste tipo. Outros respondem que isto seria impossível visto a tensão existente entre franceses e imigrantes e entre grupos de imigrantes de origens diferentes. Uma comemoração qualquer poderia levantar uma série de manifestações contrárias à entrada e à presença de imigrantes na França, discussões políticas sem fim do tipo porque comemorar este grupo de imigrantes e não um outro”.

É importante dizer que a imigração japonesa só é celebrada porque foi de grande importância para o Brasil. Assim como os italianos e alemães, os japoneses contribuíram para o rápido desenvolvimento de diversos segmentos no século passado, principalmente no setor agrário. Por aqui, as celebrações têm sido tímidas e isoladas, organizadas apenas por grupos de descendentes. Segundo me contaram, no Japão não há qualquer lembrança sobre o Centenário, apenas uma nota da imperatriz Michiko dizendo que estará refletindo sobre a dura vida que japoneses tiveram no Brasil. That’s all, mas eu acho muito pouco. Nem vou de dizer como o Rio está comemorando, a pobreza é tanta que dá até vergonha.

22.1.08

arquivo amarelado



Desculpe a péssima qualidade das fotos, mas não dava pra passar em branco. O jornal scaneado não deu muito certo.

Olha só que coisa! 20 anos atrás, mais precisamente no dia 6 de junho de 1988, o Segundo Caderno do Globo comemorou os 80 anos da imigração japonesa com uma matéria de capa. Intitulada “O Império (carioca) do Sol”, o jornalista João Carlos Pedroso faz um traçado do comércio japonês no Rio (Laranjeiras e Flamengo, na verdade). Cita o Kotobuki de Marina Tasaki (antes de se tornar um boom, quando ainda era apenas mercearia) e o Fuji, que continua funcionando, como já citei num post passado. Meu pai também aparece na reportagem com barba de comunista e aspas que duvido que ele tenha dito, pelo menos com essas palavras: “Se a gente não sonha, pensa besteira, briga com a mulher. Para viver, é preciso sonhar sempre”. Pois bem, não só o sobrenome do meu pai está escrito errado (Anam é a mãe!), como o do dono da Fuji também, nenhuma surpresa.



Dona Marina Tasaki (Kotobuki, Benkei) e Yunoki Shirou (Fuji) / Meu pai.

Num box, no rodapé da página, há a programação das comemorações. Apresentações musicais e concertos, mostras de filmes, exposições de artes plásticas e a ilustre presença do príncipe Fumihito, que virá mais uma vez este ano. Na época tinha 4 anos, mas lembro de ter ido ao Municipal para ver a apresentação de taiko do grupo Kodo. Estava de casaco vermelho, achei tudo muito chato e dormi o tempo todo. Que lembrança!

O calendário das comemorações você encontra aqui.

A Folha Online tem um especial sobre a imigração japonesa pra inglês ver, mas vale dar uma olhada.