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4.4.08

demência

Ando perplexo com a história da menina que foi jogada do sexto andar em São Paulo. Não consigo entender por que alguém faria isso. Na mesma semana, uma outra notícia também me deixou embasbacado. Nos Estados Unidos, nove crianças entre oito e dez anos se juntaram para matar a professora. O sinistro plano foi minuciosamente arquitetado, cada um tinha seu papel. Um cobriria as janelas, outro atrairia a professora, outro a prenderia com uma algema e limparia a cena do crime. O plano só foi descoberto após uma menina ver uma faca na mochila do colega e relatado à professora.

Minha mãe disse que essas coisas acontecem toda hora no Japão. Não é bem toda hora, mas é cada vez mais freqüente. Lembro do caso de um menino de 12 anos que seqüestrou um de cinco e o esfaqueou simplesmente para ver como uma pessoa morre. Se já não fosse bárbaro demais, ele ainda fincou a cabeça do menino no portão da escola. O caso foi noticiado ininterruptamente nos noticiários de lá e levantou a discussão sobre a influência da mídia sobre as crianças.

Acho que responsabilizar televisão, internet e jogos é apenas uma forma de jogar a batata quente para o colo do outro. A rápida industrialização no fim do século passado no Japão mexeu dramaticamente nas relações familiares. Com oferta de trabalho nas cidades, famílias rurais tentaram a sorte em fábricas e empresas. A rígida rotina de trabalho obrigou pais a delegarem o papel da educação à escola, e a falta de diálogo tornou as famílias meramente pessoas que dividem uma casa.

Uma amiga japonesa que passou quase um ano no Brasil disse que ficou chocada como minha irmã e eu nos damos bem. Segundo ela, é raríssimo encontrar irmãos que se falam no Japão. Ao pesquisar mais sobre o assunto, vi inúmeras notícias de dekaasseguis cometendo crimes, inclusive assassinatos brutais. Poderia me estender mais sobre o assunto, mas prefiro parar por aqui.

8.2.08

fugiro entrevista

O Fugiro “rouba” um pouco a idéia do Expatriados e lança uma nova sessão, O Fugiro Entrevista. Nessa primeira edição, eu entrevisto Mari Ueoka, que vive há quase 11 anos no Japão. Filha de japoneses, nasceu e cresceu no Brasil. Casada e com três filhos – Yúmin, Lukas e Leonardo – ela divide-se entre o trabalho e os cuidados com a família. Senhoras e senhores, eu apresento Mari.




Há quanto tempo está no Japão?

Já se passaram 10 anos e 6 meses. Cheguei em Hiroshima em agosto de 1997.

Mari, você fez o caminho inverso e foi para o Japão com sua família. Como foram os primeiros meses? Pior ou melhor que você esperava? E a adaptação?

Como meus pais já moravam aqui, viemos mais seguros, pois se houvesse alguma dificuldade, os meus pais nos ajudariam. E a adaptação foi tranqüila, mesmo no primeiro inverno, que é muito frio, adorei!!Pois eu vim grávida e no início de dezembro, no dia que o Leo nasceu, nevou! Foi a primeira vez que vi e senti a neve!!!

Muitos filhos de dekasseguis saem da escola. Seja por não conseguirem acompanhar o ritmo, as diferenças dos idiomas ou por bullying (implicância) que sofrem de colegas de classe. A Yúmin teve problemas em se adaptar?

Ela não teve nenhum problema tanto na creche e na escola primária. Acho que por morarmos numa cidade pequena os estrangeiros são ainda novidades para os pequenos japoneses até mesmo para alguns pais.A Yúmin agora está se formando no curso ginasial. Nesse período de adolescência é um pouco delicado. Mas problema por bullying por ser estrangeira, não teve.

Falando em bullying, você sente preconceito com os dekasseguis?

Como aqui na minha cidade não tem muitos dekasseguis, não vejo preconceito. Os estrangeiros são tratados como cidadãos igual aos japonêses. Pagamos impostos, procuramos seguir as normas da cidade, participamos dos eventos e festivais.

Como é seu dia-a-dia?

Acho que agora vai ficar mais agitada, pois o Leo ainda estará na escola primária, o Lukas irá para o ginásio que a escola fica numa outra cidade e a Yúmin começará o colegial, que é na capital de Hiroshima. E como preocupo com as crianças em relação à escola, procuro participar nas reuniões, atividades, eventos, apresentações deles nas escolas. Pensando em família, nos fins de semana, procuramos passear. Agora no inverno, não temos muitas opções, por causa do frio e da neve. Nós vamos nos shoppings, pois tem tudo em um lugar. Passeio extra é ir na pista de esqui, pois só tem no inverno.

Quando esquenta passeamos para lugares abertos, até um churrasquinho com os amigos no parque fazemos.

Depois de tantos anos, seu olhar sobre o Brasil mudou?

Tive no Brasil há 4 anos. O Brasil mudou externamente, mas internamente, eu não posso te dizer, pois não moro aí. Assistindo notícias pela tv, ou lendo artigos pela internet, não é suficiente para saber.

Tem planos de voltar?

Para falar a verdade, no momento não planejamos. Pensando no bem estar das crianças (que são mais japonesas que brasileiras), na educação, que para o Leo ainda faltam 10 anos (se ele fizer uma faculdade), nós vamos ficando por aqui. Quando eles já estiverem independentes, quem sabe eu e o Mauro pensaremos em voltar.

14.1.08

márcia who?

No final dos anos 80, quando karaokê era apenas uma palavra estranha, Márcia Nishie lançou-se como uma cantora de hits japoneses, na verdade só um hit, o meloso “Furimukeba Yokohama”. Lembra? Apresentou-se até no Fautão! Infelizmente o Youtube não tem esse vídeo, mas dá pra refrescar a memória aqui! De olho numa carreira internacional, Márcia juntou suas trouxas e se mandou pra terrinha, deixando sua Mogi das Cruzes para trás. A jornada épica começou com uma gafe no restaurante. Apesar de cantar em japonês, falava muito mal. Louca pra comer carne, soltou a seguinte exclamação: “Ushi tabetai!” (trad. “quero comer boi!”). Risadas a parte, Márcia perseverou tal qual Scarlett O’Hara. Virou atriz e cantora, casou-se com um ator famoso, flagrou-o com a amante e se separou. Vítimas de muito boatos e flashes, figura constante nas tvs de lá, Márcia tornou-se a filha ingrata de Mogi. Em 2004, declarou: “Aprendi a não ser brasileira e estudei para ser igual a uma japonesa”. Pedradas e tomatadas! Para quem vive aqui, é difícil entender a vida dos dekasseguis (afinal Márcia não deixa de ser uma) e é muito fácil criticá-la. Os japoneses não são tão friendly e a adaptação requer muitos sacrifícios, vide a evasão escolar das crianças brasileiras lá. Todo mundo sabe que para ser aceito num grupinho é preciso ser um deles, afinal, não dá pra ser roqueiro e Cumpadre Washigton ao mesmo tempo. Não sei o objetivo deste post, só queria falar da Márcia e seu eterno hit que me persegue. Aqui tem uma lista de nipo-brasileiros famosos (?). Tá, alguns são bem conhecidos.